Terra deResistentes

Terra de Resistentes

Defender os rios, montanhas, florestas e rios da América Latina nunca foi tão perigoso. Seis dos 10 países mais hostis para líderes e comunidades que defendem o meio ambiente e suas terras, citados no relatório que o relator especial das Nações Unidas sobre a situação de defensores de direitos humanos, o francês Michel Forst apresentou em 2016, estão na América Latina. Por isso, uma equipe de 30 jornalistas, desenvolvedores, fotógrafos e videomakers de sete países (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, México e Peru) se reuniu para investigar episódios de violência contra líderes ambientais e suas comunidades. O resultado desse projeto investigativo, no qual trabalhamos por cinco meses, está associado a um banco de dados com quase 1.400 ataques registrados nos últimos dez anos (2009-2018) e 16 reportagensem profundidade.

O resistente em dados

Navegue pela visualização escolhendo o país nos filtros. Para ver as informações detalhadas, clique sobre as folhas que representam os líderes ou organizações.

  • 2009
  • 2010
  • 2011
  • 2012
  • 2013
  • 2014
  • 2015
  • 2016
  • 2017
  • 2018

É importante ressaltar que não pretendemos ter uma visão completa dos ataques ocorridos no período, uma vez que a subnotificação é grande. No entanto, nosso banco de dados - construído a partir de inúmeras fontes, entre entidades oficiais, arquivos de imprensa, organizações sociais e relatórios de campo - mostra um panorama sombrio.

O que encontramos?

Em nossa pesquisa, encontramos 1.179 atos vitimadores contra homens e mulheres e 177 contra comunidades ou organizações que defendem o meio ambiente e o território. Do total, 81,7% ocorreram contra homens, talvez porque eles são os que têm tradicionalmente exercido cargos de liderança, embora foram registrados 216 ataques contra as mulheres - incluindo aqueles que podem ser conhecidos nas histórias sobre Saweto no Peru e Patricia Gualinga no Equador.

De assassinatos e ataques a assédio judicial e deslocamento forçado, estes defensores pagam um preço muito alto por seu direito a um ambiente saudável e por protegerem ecossistemas estratégicos - montanhas, florestas, lagos, rios e zonas úmidas - abrigados em seus territórios.

As minorias étnicas são as maiores vítimas

Alarmantes 56% desses episódios de violência (761 registros) ocorreram contra minorias étnicas, demonstrando que os territórios indígenas e de afrodescendentes (quilombolas) são especialmente vulneráveis ​​a esses interesses criminosos.

Os dados nos mostram todos os tipos de ataques contra indivíduos de 124 diferentes grupos indígenas.Apenas na Colômbia, dos 15 grupos étnicos afetados, onze estão em perigo de extinção.

Nove de nossas reportagens retratam ataques e intimidações contra comunidades indígenas que buscam salvaguardar suas terras ancestrais - os Rarámuri e Odami no México, os Shuar e Kichwa no Equador, o Zenu e Nutabe na Colômbia, os Karipuna e Uru-Eu-Wau-Wau no Brasil, o Trinitarian e Torewa Moxeños na Bolívia e os Ashaninka e Tikuna no Peru.

O banco de dados também mostra 136 episódios de violência contra populações afrodescendentes, equivalentes a 10% dos casos.Uma das históriasconta a resistência de uma comunidade no Pacífico colombiano.

O quê eles defendem e de quê eles se defendem?

Embora em muitos casos os líderes ambientais tentem proteger mais de um recurso natural, nesta investigação levamos em conta o principal recurso defendido por eles.

Da mesma forma, em muitos casos, líderes e comunidades têm se defendido de diferentes tipos de assédios. Em nossa pesquisa, levamos em consideração o principal fator que afeta as comunidades defensoras - da agroindústria, exploração petroleira, mineração, hidrelétricas e estradas, até o tráfico de drogas e comércio ilegal de madeira.

A seguir, estão os tipos de violência contra os líderes que mapeamos com o banco de dados, sem mencionar que em vários casos os líderes ou comunidades que defendem o meio ambiente sofreram mais de uma violência, então decidimos escolher a principal ou a mais atual.

Verificamos que uma porcentagem significativa de ataques ocorreu nas vastas regiões da selva que fez da América Latina ser reconhecida como a região com maior biodiversidade do mundo.

Exatamente a metade de nossas reportagens investigam a violência contra líderes, comunidades e guardas florestais na Amazônia, onde enfrentam todos os tipos de interesses, legais e ilegais.

O dado mais complicado

A informação mais difícil de conseguir foi o status jurídico dos casos. Apenas encontramos dados conclusivos de sentenças (independentemente de serem condenatórias ou absolutórias) em 50 casos (3,68% do total), mostrando que a administração da justiça registra uma das maiores dívidas em ataques contra líderes ambientais. Em muitos desses casos, os julgamentos cobriram os executores mas não os mandantes, como aconteceu com a recente sentença no México pelo assassinato de Isidro Baldenegro, vencedor do Goldman Environmental Prize em 2005.

Igualmente alarmante foi encontrar informações de que, em pelo menos 545 casos (ou 40,19% do total), houve queixas das vítimas e suas comunidades para as autoridades antes dos atos violentos, tanto para instituições estatais como para organismos internacionais como a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Embora a nossa pesquisa não seja uma medida científica, mas sim jornalística, os dois anos em que encontramos o maior número de episódios de violência foram 2017 (com 14,8% dos casos) e 2016 (com 12,6% deles), evidenciando a gravidade da situação atual. Em relação a 2018, muitas das fontes consultadas ainda não tinham publicado ou consolidado os resultados de suas investigações.

Esses defensores protegem a terra que lhes dá vida, mas também as montanhas que nos fornecem água e as florestas que trazem ar limpo para as cidades. Eles estão sendo ameaçados e mortos. Cada um deles é mais que um número. Estas são as suas histórias de vida, de luta, de resistência.

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